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16/07/2004 23:03
Tirei a tarde inteira para ficar de molho em casa... Pode-se dizer que a saúde resolveu dar uma voltinha e só veio me voltar agora à noite! Bom, o que importa é que eu estava sem ter muito o que fazer, entediada do telefone, mentalmente esgotada do lixo da televisão e juntando-se ao fato de que estou completamente sozinha aqui em casa, decidi ficar deitada na cama, debaixo de cobertas quentíssimas para passar o tempo. Talvez eu dormisse, talvez ouvisse música, talvez eu terminasse algum livro esquecido em cima da mesa, ou talvez ficasse simplesmente pensando na vida pra variar um pouco, mas ao invés disso, tive a minha atenção presa numa gaveta perdida do quarto.
Numa onda de animação surpreendente, voei até a gaveta e a abri a troco de nada, afinal, sei de praticamente tudo que ali está guardado; fiquei remexendo em algumas coisas, passei o olho rapidamente por outras, quando topei com uma dúzia de cartas antigas (umas nem tanto assim!) de pessoas realmente queridas. Voltei para a cama e para as cobertas e comecei a ler cada uma delas, sem a menor pressa ou ansiosidade, pois não era a primeira vez que o fazia. Não era a primeira vez que eu lia, mas com certeza foi a primeira vez que me dei conta de algumas coisas...
Estava lá lendo sobre brincadeiras antigas, comentários engraçados, frases que costumávamos falar naquela época (que nem foi há tanto tempo assim), implicâncias que fazíamos e tínhamos entre nós ou com as outras pessoas, elogios ao monte, palavras de carinho e afeto... Fiquei me perguntando se eu sabia o quanto essas pessoas gostavam de mim, e desejavam o meu bem, e me consideravam e me admiravam... E fiquei me perguntando há quanto tempo eu sabia disso... Anos e anos de amizade ou há cinco minutos de leitura?
Isso não importa. Por que o que ficou martelando insistentemente dentro da minha cabeça, era se essas pessoas estavam passando bem no momento que tinham escrito aquelas cartas, se não estavam delirando ao dizer todas aquelas coisas bonitas ao meu respeito. Creio que eu tenha recebido muito mais cartas do que um dia já mandei pra alguém ou pra todas elas juntas...
Justo eu que estou sempre a afirmar para quem quiser ouvir: eu amo escrever! Eu que me considero uma defensora convicta de toda forma escrita existente; eu, eu que nunca me dei ao trabalho de responder, eu que nunca me preocupei tanto assim para escrever de volta para esssas pessoas... E pior, quando escrevi para elas, não acredito ter demonstrado nem um décimo de todo o carinho que me demonstraram nas folhas simples de fichário, porém sempre enfeitadas e afetuosas.
Me senti mal com esses pensamentos e decidi escrever aqui sobre isso tudo. Moral da história? Não sei. Não há moral alguma, apenas me dei conta de que eu espero receber muito dos outros, mas não sou nem capaz de dar para essas pessoas o que elas dão pra mim... Eu, cega e iludida, não consigo enxergar o quão generosas todas são e sempre foram! Ainda assim reclamo e me queixo! Absurdos da minha vida...
beijos* e cuidem-se!
enviada por tat's
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